sábado, 9 de abril de 2011

Lutando contra o teórico que estabeleceu o destrutivo, o criminoso e o bizarro como padrões normais no campo da conduta sexual do ser humano - Parte II

UMA ODISSÉIA PESSOAL ATÉ A VERDADE - PARTE II
Kinsey em uma das várias sessões de filmes de conteúdo sexual com audiência de mulheres e crianças. A reação do público ao conteúdo viria a servir como guia para a avalance de produção pornográfica posterior

(Foto: Kinsey, Crimes & Consequences)

Em 1977, eu estava no País de Gales para apresentar um artigo de pesquisa sobre mulheres e pornografia na Conferência Internacional da Associação Psicológica Britânica sobre “Amor e Atração”, realizada na Universidade de Swansea.

Quando cheguei a Londres fiquei sabendo que Tom O’Carroll, o líder da “Troca de Informações Pedófilas” (PIE- Pedophile Information Exchange), estava cobrindo a Inglaterra num tour de relações públicas, promovendo o sexo com crianças em seu caminho até a conferência de Swansea. Toda a Inglaterra estava em alvoroço por causa das reportagens diárias da imprensa descrevendo os objetivos da PIE e de O’Carrol.

Foi relatado que a PIE especializava-se em fornecer listas de lugares onde pedófilos pudessem localizar e seduzir crianças. Os funcionários responsáveis pela cozinha e limpeza da Universidade de Swansea entraram em greve quando souberam que O’Carroll falaria da tribuna da universidade onde trabalhavam. As camas não seriam feitas, não se preparariam refeições e nem roupas seriam lavadas se a conferência desse espaço a um homem que promovia sexo com crianças.

Eu trazia comigo oitenta slides para a minha apresentação, como provas que corroboravam minhas descobertas sobre pornografia infantil na Playboy e Penthouse. Eu já tinha entrado em conflito com um professor americano, Larry Constantine, um membro do conselho da Penthouse que advogava a pornografia infantil em seu artigo “Os Direitos Sexuais das Crianças”.

Assim, quando Constantine emitiu um boletim aflito, convocando uma reunião de oradores, eu me apressei para me juntar ao grupo. Todos os participantes internacionais foram solicitados a assinar uma petição exigindo que O’Carroll falasse e que nossas camas fossem feitas. Eu insisti para que o grupo reconsiderasse. Nós estaríamos de partida em poucos dias, argumentei. Tínhamos o direito de deixar para trás uma comunidade desfeita por nossa vontade de dar lugar a um prosélito do molestamento infantil? Eu fui a única a não assinar a petição. Finalmente, o presidente da Universidade de Swansea considerou que O’Carroll não tinha credenciais para falar e o serviço de cozinha e limpeza voltou a funcionar.

Eu me perguntava: “Como?”, “por quê?” os funcionários de serviços domésticos puderam combativamente proteger os seus filhos, enquanto acadêmicos treinados permaneceram apáticos, até mesmo simpáticos a esse pedófilo, O’Carroll. Meus antigos desapontamentos com a comunidade universitária continuaram, na medida em que notei que esses homens e mulheres credenciados comportavam-se com tamanha indiferença para com a população local, desdenhando daquilo que eu considerava serem preocupações bastante legítimas quanto à proteção de seus próprios filhos.

Com O’Carroll já fora do País de Gales, eu estava saindo para pegar o trem com destino a Londres, quando um psicólogo canadense discretamente me chamou de lado. Ele disse que, evidentemente, eu estava certa. Aquelas imagens de crianças na Playboy/Penthouse causariam ações sexuais nas crianças. Mas se eu estava procurando a causa para a epidemia global de abusos sexuais contra crianças, ele me disse para não deixar de ler a respeito de Alfred Kinsey no The Sex Researchers [Os Pesquisadores do Sexo], de autoria de Edward Brecher. “Por quê?”, perguntei. “Eu trabalhei com Kinsey e Pomeroy”, disse ele. “Um era pedófilo e o outro, um homossexual”. “Quem era o quê?", perguntei. “Leia e descubra”, replicou o canadense.

Enquanto eu voava de volta para os Estados Unidos, ponderei os eventos das últimas semanas. Evidentemente, eu agora sabia, pois havia testemunhado os fatos, que havia um “movimento pedófilo acadêmico internacional”, crescente e diligente em fazer prosélitos, conhecido publicamente como desejoso em obter acesso a crianças para fins sexuais. Eu tropecei bem no meio deles durante a conferência. Novamente, eu me perguntava que tipo de treinamento acadêmico estava produzindo a intelligentsia vulgarizada e predatória que eu tinha conhecido em Swansea.

Seguindo a sugestão do psicólogo canadense, assim que cheguei aos Estados Unidos li o livro de Edward Brecher, The Sex Researchers. Na época, eu não estava certa sobre o quê me deixou mais estonteada, se o uso que Kinsey fez de crianças em experimentos sexuais, ou o fato de que Brecher aceitava o seu uso como metodologia de pesquisa. Atônita, eu me voltei ao livro original de Kinsey para checar Brecher. Sim, ele estava citando Kinsey com acurácia. Agora eu finalmente sabia que havia uma autoridade fonte para que as crianças fossem crescentemente vistas sexualmente; para mim, pessoalmente, a pergunta de anos atrás estava respondida. Minha tia e minha amiga Carole tinham tirado a idéia de que “crianças são sexuais desde o nascimento” de Alfred Kinsey.

Em 1981, eu estava em meu escritório sobre o topo de uma montanha, na Universidade de Haifa, em Israel, olhando fixamente paras tabelas de números que me olhavam de volta a partir do mundialmente famoso livro de Kinsey, O Comportamento Sexual do Macho Humano.
'Exemplos de orgasmos múltiplos em pré-adolescentes masculinos', a Tabela 34 da obra de Kinsey.

Tal como eu já tinha feito muitas vezes antes, estava estudando a página 180, Tabela 34, esforçando-me para ver se eu tinha deixado de notar alguma coisa, se havia algo que entendi errado anteriormente. Tinha checado todas as citações e referências de Kinsey na biblioteca, mas em nenhum lugar havia qualquer menção a dados sobre abusos de crianças.

Eu busquei todos os livros sobre Kinsey, li biografias, as centenas de artigos positivos a seu respeito e ao seu trabalho, e as poucas críticas rigorosas, mas em nenhum lugar havia qualquer crítica a essas tabelas e gráficos. Eu estava começando a aceitar o fato de que milhares de cientistas internacionais que estudaram Kinsey nunca viram o que estava bem diante de seus olhos.

Em março de 1981 recebi uma resposta à carta que enviei ao co-autor do livro de Kinsey, Dr. Paul Gebhard. Eu havia escrito perguntando-lhe a respeito dos dados sobre crianças nas Tabelas 30 a 34. Gebhard, que sucedeu Kinsey como diretor do Instituto Kinsey, escreveu-me dizendo que os dados sobre crianças nas tabelas de Kinsey foram obtidos de pais, professores e de homossexuais que gostavam de garotinhos, e que alguns dos homens usaram “técnicas manuais e orais” para catalogar quantos “orgasmos” criancinhas e crianças mais velhas poderiam produzir num determinado período de tempo.

Armada com a carta e as admissões de Gebhard, em 23 de junho de 1981, criei um alvoroço em Jerusalém, por ocasião do V Congresso Mundial de Sexologia, onde proferi uma palestra sobre o Dr. Kinsey e os dados sobre crianças. Eu estava confiante de que meus colegas sexólogos ficariam tão ultrajados quanto eu diante dessas tabelas e dados que descreviam a dependência de Kinsey em pedófilos como seus experimentadores sexuais infantis. Talvez o pior de tudo para mim, como estudiosa e mãe, estava nas páginas 160 e 161, onde Kinsey afirmava que os dados vinham de “entrevistas”. Como é que ele pôde dizer que 196 crianças pequenas – algumas com apenas 2 meses de idade – desfrutaram de “desmaios”, “gritos”, “choro” e “convulsão” e ainda dizer que essas reações das crianças eram provas de seu prazer sexual e “clímax”? Eu disse que eram provas de terror, dor, bem como de crimes. Um de nós dois estava muito, muito confuso.

Eu estava certa de que a altamente educada comunidade científica internacional dedicada à sexualidade, reagiria tal como eu reagi. Certamente, esta revelação sobre Kinsey, sua equipe, e todos esses dados sobre criancinhas de colo e crianças iriam eletrizar uma conferência global de Ph.D.s, e muitos iriam concordar com o meu pedido de uma investigação sobre Kinsey. A nata mundial de cérebros dedicados à sexualidade humana estava presente para a conferência de Jerusalém: lá estavam doutores da Grã-Bretanha, Estados Unidos, França, Dinamarca, Israel, Noruega, Canadá, Escócia, Holanda, Suécia e de dezenas de outros países. Todos os presentes à conferência conheciam o meu artigo. Ele tinha sido o assunto do evento, recebendo mais atenção do que o discurso de Xaviera Hollander “The Happy Hooker – A Prostituta Feliz” sobre o tema geral “Desligado do Sexo”. As pessoas estavam excitadas sobre a questão das crianças de Kinsey durante toda a conferência.

Meu título, “O Cientista como Agente Contribuinte para o Abuso Sexual Infantil; Uma Consideração Preliminar de Possíveis Violações Éticas”, tinha sido publicado nos sumários da conferência. O resultado não foi menos do que eu esperava: uma sessão única numa sala lotada, com pessoas de pé. Eu estava gratificada pelo fato de que tantas pessoas estavam tão preocupadas quanto eu. Depois de apresentar meus slides das Tabelas 30 a 34 de Kinsey, as quais descreviam o relatório de Kinsey quanto a taxas e velocidades de “orgasmos” de pelo menos 317 crianças (lembrando, novamente, que a mais nova tinha apenas 2 meses de idade) e apresentando a carta de confirmação de Gebhard, encerrei minha argumentação e voltei meu olhar para o público. A sala estava em silêncio total. Finalmente, um tipo nórdico, alto e loiro, que tinha estado de pé próximo à tribuna, não se conteve e praticamente gritou para o público:

“Eu sou um repórter sueco e nunca falei numa conferência. Esse não é o meu papel. Mas, qual é o problema com todos vocês? Esta mulher acabou de jogar uma bomba atômica nesta mesma sala e vocês não têm nada a perguntar? Nada a dizer?”.

Isso quebrou o gelo e muitas mãos se levantaram pedindo para falar. Os comentários daqueles no público eram limitados pelo moderador da conferência, mas uma investigação teria lugar. A reação na sala foi pesada; foi atordoante para alguns, desconfortável para outros. Mais tarde, a diretora de educação sexual da Suécia aproximou-se para me dizer que estava chocada com o fato de que crianças tinham sido usadas sem consentimento. Porém, ela se apressou em me assegurar que crianças poderiam ser sexualmente estimuladas por adultos, até mesmo pelos pais, se isso fosse estritamente para fins terapêuticos, é claro. No final daquela tarde, minha jovem assistente da Universidade de Haifa voltou do almoço visivelmente abalada. Ela tinha dividido uma mesa privativa com os executivos internacionais da conferência.

Meu artigo foi contestado acaloradamente e em grande medida, condenado, uma vez que todos àquela mesa concordavam completa e sinceramente que crianças de fato poderiam ter sexo “amoroso” com adultos. Eu percebi claramente que todo o campo da pesquisa sexual dependia do modelo de sexualidade humana de Kinsey como referência máxima, e eu estava ali para dizer a seus discípulos que Kinsey era uma fraude. Se por um lado eu estava decepcionada por essa reação, com tantas agências internacionais presentes e com interesses econômicos inconfessáveis, além de motivações emocionais na manutenção da credibilidade de Kinsey, eu compreendi por que a conferência não escolheu investigar Kinsey.

Meses mais tarde, minha filha morreu vítima de um aneurisma cerebral. Sem nunca saber se o estupro que tinha sofrido na infância contribuiu para a sua morte, eu dedicaria décadas da minha vida para proteger outras crianças da crescente multidão de discípulos de Kinsey-Hefner[1]. Em 1982, logo após a confrontação em Jerusalém em torno da Tabela 34 de Kinsey, fui convidada pelo Departamento de Justiça – Justiça Juvenil e Prevenção de Delinquência, a retornar aos Estados Unidos. Fui nomeada Professora-Pesquisadora Plena na American University, para atuar como investigadora-chefe num projeto com uma dotação de oitocentos mil dólares para investigar o papel de Kinsey no abuso sexual de crianças e o elo para a aparição de crianças na pornografia em voga, i.e., Playboy, Penthouse e Hustler.

A indústria do sexo comercial agora tinha juntado forças com o Instituto Kinsey e a sexologia acadêmica para evitar que qualquer luz fosse lançada sobre o seu mundo. Com o tempo, eu obteria cópias de cartas secretas e pacotes, clandestinamente enviados mundo afora pelo Instituto Kinsey e por pornógrafos para desacreditar minha investigação sobre Kinsey e aquela sobre as crianças que apareciam em suas revistas. Secretamente, o Instituto Kinsey ameaçou processar a American University se eu fosse autorizada a continuar meu estudo.

Deste modo, escondendo a razão que os fazia serem tão deliberadamente obstrucionistas, a American University exigiu que eu não estudasse qualquer coisa relacionada a Kinsey. Obviamente, esta era uma violação total da liberdade acadêmica, assim como do direito do público à informação, na verdade, uma violação daquilo que o contribuinte estava pagando para saber. O tempo todo, o Instituto Kinsey manteve um esforço obstinado e furtivo, em grande medida para manter a mim e minhas descobertas longe da imprensa e dos meios de teledifusão, de todas as conferências e publicações profissionais relevantes, de editores de livros e assim por diante.

Em 1990, quando algumas de minhas descobertas sobre abuso de crianças foram impressas num livro de pequena circulação, um popular apresentador de talk-show e um devoto de Kinsey, Phil Donahue, transmitiu pela televisão a importância geral de Kinsey para o mundo. Um garoto da platéia perguntou por que Kinsey deveria ter alguma importância para ele. O Sr. Donahue instruiu o jovem, jovem demais para se lembrar:

“Kinsey foi para a sexualidade o que Freud foi para psiquiatria, o que Madame Curie foi para a radiação, o que Einstein foi para a física. E agora aparece essa mulher [Reisman] dizendo, ‘E não é igual a mc²’. Nós baseamos a educação de toda uma geração de sexologistas em Kinsey, e Kinsey era um velhote obsceno”.

Embora naquele dia Donahue tenha contra argumentado em favor de Kinsey, retratando-o como um bom homem de família, eu sugiro que é hora de deixar as pessoas decidirem por si mesmas quem e o quê Kinsey foi. A despeito do que foi dito pelo Sr. Donahue, isto é certo: o mundo tem o direito de saber o que foi escondido até agora; de fato, um direito e uma responsabilidade de saber o que aconteceu às crianças da Tabela 34.

É hora de identificar que efeito Alfred Kinsey, o pai da revolução sexual e da educação sexual, teve sobre as vidas de inumeráveis indivíduos. Desde 1948, dados de relatórios de saúde pública confirmam uma enorme transformação na maneira que os americanos e o resto do mundo ocidental vê a sexualidade humana. Os resultados são dificilmente tranquilizadores. Uma vez que a mudança ocorreu ao longo dos últimos 50 anos, é certo que, com base em provas estatísticas, nossa direção merece revisão. Usando as palavras do Sr. Donahue, a cultura ocidental “baseou a educação de toda uma geração de sexologistas em Kinsey e Kinsey era um velhote obsceno”.

O que isso significa para todos nós? Este livro, eu espero, será uma resposta. No momento em que o Congresso americano se prepara para investigar Kinsey sob a Lei de Proteção à Criança e Ética na Educação [HR 2749] [2], e quando o Instituto Kinsey se prepara para a sua retrospectiva dos 50 anos de contribuições de Kinsey à sociedade, é minha maior esperança, como estudiosa e mãe, que a verdade finalmente seja apresentada – e que o mundo tenha a coragem de olhar para a verdade em benefício das gerações futuras.

NT[1]: Hugh Hefner, dono da Playboy

NT[2]: Em poucos anos, essa lei virou letra morta, por pressão e influência das Fundações Ford e Rockefeller. Para ler mais, clique aqui.

Uma odisséia pessoal até a verdade - Parte I

Lutando contra o teórico que estabeleceu o destrutivo, o criminoso e o bizarro como padrões normais no campo da conduta sexual do ser humano - Parte I

Lutando contra o teórico que estabeleceu o destrutivo, o criminoso e o bizarro como padrões normais no campo da conduta sexual do ser humano - Parte I

UMA ODISSÉIA PESSOAL ATÉ A VERDADE - Parte I

A partir de hoje, o leitor do Mídia@Mais poderá acompanhar a história e os desdobramentos da batalha pessoal de Judith Reisman, autora da obra capital "Kinsey, Crimes & Consequences", em sua luta de décadas contra a cultura que estabeleceu o destrutivo, o criminoso e o bizarro como padrões normais no campo da conduta sexual do ser humano.

Para introduzir o leitor à obra da Dra. Reisman e a esse mundo que ela descobriu nefasto, o mundo da pornografia aliado à academia, o estado, as fundações bilionárias e o big business, a Editoria do M@M escolheu o prefácio da obra que, como o título indica, traz, além da análise histórica e biográfica dos principais personagens envolvidos na trama, o alcance atingido por suas ações, na tentativa de destruir a moralidade tradicional em busca de prazer, dinheiro e poder ilimitados.

(Editoria Mídia@Mais)

INICIALMENTE, gostaria de me apresentar de modo a que os leitores soubessem algo sobre a minha vida e sobre como eu vim a descobrir os procedimentos de experimentação com crianças de Alfred Kinsey, seus dados falseados, sua moldagem da moderna educação sexual e da cultura e conduta sexual ocidental, e também para que saibam como me envolvi em audiências governamentais internacionais sobre fraudes nas ciências, abuso sexual de crianças, delinqüência juvenil, pornografia, drogas e outras questões críticas de nossa época. Tentarei tocar nos pontos da minha vida que acredito possam ser mais úteis aos leitores deste desmascaramento de Kinsey.

Nasci em 1935, chamada Judith Ann Gelernter, em Newark, Nova Jersey. Minha grande e próspera família já era de uma segunda geração de judeus americanos, de origem russa pelo lado materno e alemã, pelo lado paterno. Ambos os ramos de avós da família fugiram da perseguição na Europa, e ao desembarcar em Ellis Island, Nova York, agradecidamente abraçaram seu país adotivo e imediatamente aceitaram trabalhos humildes, criando famílias de realizadores.

Meu pai, Matthew, nasceu em Massachusetts e minha mãe, Ada, em Nova Jersey. Os Gelernter faziam reuniões de família, a cada dois ou três meses, numa casa muito grande em South Orange, Nova Jersey. Mais de quarenta adultos e dúzias de crianças sentavam-se à mesa para jantares preparados com muito gosto, observando as maneiras impecavelmente. Sem o advento da televisão, os jantares eram seguidos de acalorados debates sobre política entre meus pais e o restante da família. Meus pais eram os radicais da família. Eles acreditavam na amplamente divulgada propaganda de um mundo novo perfeito sob o socialismo ou o comunismo. Nenhum de nossos grandes jornais jamais havia trazido a público o assassinato de muitos milhões de russos pelo “Tio Joe” Stalin.

Entrementes, meu pai frequentemente fazia com que eu me lembrasse que “Gelernter” significa “o instruído” em alemão, um nome de distinção atribuído aos meus antepassados. “Sua vida deve ser em honra ao seu nome”. Tendo herdado algum talento artístico de meus pais, o que me proporcionou uma gratificante profissão quando já adulta, eu deles também herdei o amor pela verdade, a preocupação pelos impotentes e indefesos e a resistência à tirania, traços que me lançaram sobre a difícil jornada descrita neste livro.

Vivi numa época maravilhosa. Minha mãe me dava as boas vindas todos os dias e meu pai me apoiava em tudo que eu fizesse. Eu estava segura entre vizinhos, tios ou primos, como era comum à época. Casei-me e o muro de proteção em torno da minha vida resistiu até 1966, quando minha filha de 10 anos de idade foi molestada por um garoto de 13 anos, até ali, um amigo adorado e merecedor da confiança da família. Ela lhe disse que parasse, mas ele insistiu. Ele sabia que ela iria gostar, disse ele, ele sabia disso do que leu nas revistas Playboy de seu pai, a única pornografia “aceitável’ naquele tempo. O garoto deixou o país poucas semanas depois, quando veio à luz o fato de que minha filha foi apenas uma de várias crianças da vizinhança que ele tinha estuprado, incluindo o seu próprio irmão menor. Meu coração ficou despedaçado por todas as famílias envolvidas.

Eu ficaria sabendo mais tarde que este estarrecedor evento em nossas vidas era um padrão entre os infratores sexuais juvenis, tal como eles são conhecidos nos círculos policiais e judiciais.

Eu poderia nunca ter sabido nada a respeito da violação de minha filha, exceto porque ela caiu em profunda depressão. Somente após ter prometido não chamar a polícia é que ela falou sobre o que aconteceu. Depois de lhe assegurar que aquilo não fora culpa dela, eu telefonei para a minha tia, confiável e séria, que ouviu compreensivamente e então declarou: “Bem, Judy, ela mesma pode ter procurado por isso. Crianças são sexuais desde o nascimento”. Estupefata, eu repliquei dizendo que minha filha não estava buscando sexo, e então telefonei para Carole, minha amiga de escola, em Berkeley, que aconselhou: “Bem, Judy, ela mesma pode ter procurado por isso. Crianças são sexuais desde o nascimento”. Eu fiquei intrigada com essa locução, usada por duas pessoas tão diferentes e tão distantes geograficamente. Eu reconheci uma “linha partidária”, ideológica. Eu ainda não sabia, mas como uma jovem mãe, eu tinha entrado no mundo de acordo com Kinsey. Eu iria ouvir e ler “crianças são sexuais desde o nascimento” com bastante frequência. Mas finalmente, eu iria descobrir e expor as circunstâncias ocultas em torno da sua fonte.

Em 1973 sentei-me na filmoteca da CBS TV escolhendo o trecho exato do clip da Encyclopaedia Britannica, “Market Day in Old England”, que eu usaria para o meu próximo vídeo-musical para crianças. Eu era uma produtora de vídeos-musicais para o programa “Captain Kangaroo”, o mais querido, confiável e duradouro programa de televisão para crianças nos Estados Unidos.

Jim Hirschfeld, o produtor de “Captain”, me colocou para trabalhar logo depois que viu amostras de minhas produções de vídeos-musicais anteriores, para estações de TV em Wisconsin, em Ohio, além de outros trabalhos, que incluíam material educativo para vários museus de arte. Naqueles dias, eu estava muito preocupada quanto ao modo pelo qual as imagens impactavam no cérebro, no intelecto e na memória.

Jim era um homem gentil, cortês, e um pai dedicado, de modo que ele me fez amplas concessões para que eu trabalhasse a partir de minha casa em Cleveland. Eu gravava num estúdio local, ilustrava as canções e enviava o produto final para Nova York. Sem nenhum agente, dependendo apenas do talento que me foi dado por Deus, eu estava no topo do meu campo de trabalho. Também estava profundamente impressionada pelo fato de que o sistema americano de recompensa pelo mérito tivesse tornado isso possível. Então, um dia Jim chamou-me ao seu escritório e com relutância, mostrou-me um relatório gerado por computador. Um grupo de teste composto por crianças foi estudado, usando uma câmera oculta para acompanhar os movimentos de seus olhos. Jim assegurou-me que, ainda que ele apreciasse muito as minhas cuidadosas melodias, o anunciante queria os olhos das crianças grudados na tela da TV. Sem as mães controlando o seletor de canais, as crianças agora assistiam televisão sozinhas, mudando do “Captain” para desenhos animados. Eu teria de acelerar o tempo de minhas melodias para competir com a ação rápida e a crescente violência dos desenhos animados de outros canais. Bob Keeshan (o “Captain”) ficou aflito com isso, tanto quanto Jim, mas não tínhamos escolha, disse ele.

Eu me vi sem vontade ou incapaz de produzir para crianças daquela maneira. Porém, nem tudo estava perdido. Com os excelentes royalties que recebi do programa, eu poderia voltar à universidade em busca de um doutorado, estudando os efeitos da mídia de massa. Tendo passado os últimos quinze anos como esposa de professor universitário, sabia muito bem tanto da importância que o mundo dava aos que tivessem o título de doutor, quanto do frequente desapontamento diante daquilo que eu intimamente considerava falta de curiosidade intelectual e vigor no meio da comunidade educada. Eu achava as festas e conversas do corpo docente de alguma forma carentes de um senso comum básico, e considerando todos os seus títulos, a maioria dos membros da academia parecia apreciar o distanciamento da realidade da maioria.

Meu trabalho em museus de arte e minha experiência na televisão deixaram-me preocupada pelo fato de que as crianças estavam sendo influenciadas, reconfiguradas e verdadeiramente mudadas, uma vez que imagens e outros estímulos excitantes diariamente alteravam a estrutura mesma do cérebro da criança receptora. Se um programa prestigioso e responsável como o “Captain” teve de acelerar seu formato nos dias de Leave it to Beaver[1], o que aconteceria nas décadas por vir? Que tipo de crianças a TV estava moldando e de que forma essas crianças alteradas mudariam nossas instituições de educação, teologia, governo, direito, medicina, família – e a própria mídia de massa?

Determinada a obter um doutorado em comunicação, entrei na Case Western Reserve University, em Cleveland, a fim de estudar os efeitos da televisão e descobrir, para minha grande surpresa como uma preocupada profissional da mídia que, por volta de 1972, a toxicidade da televisão já tinha sido bem documentada pelo relatório do Surgeon General[2] acerca da violência na televisão.

Ao ignorar as descobertas mais duras e contando que os “guardiões dos portões” não relatariam os fatos, a mídia de massa descontou e escondeu com sucesso os perigos de sua atividade. O fato de que já existia um conjunto de pesquisas sobre os efeitos da televisão, ainda que ignorado, fez com que eu mudasse o foco do meu trabalho de doutoramento, especialmente depois que testemunhei o que poderia ser chamado de preocupante experimento não-monitorado de comportamento verbal versus não-verbal.

Em uma de minhas turmas, um jovem estudante de comunicação, cuja noiva tinha acabado de deixá-lo, tinha montado o script de uma produção de vídeo usando fotos explícitas da Playboy, Penthouse, Hustler e de revistas similares. O Dr. Lowell Lynn, o professor do curso, assegurou-me que todos os estudantes que estavam trabalhando na produção deram consentimento prévio ao seu conteúdo. Eles não tinham “nenhum problema” quanto às fotografias, disse Lynn, e depois que os risinhos nervosos iniciais diminuíram, o grupo de estudantes, normalmente vivazes, fechou-se em completo silêncio. Estranhamente e enquanto nenhuma das fotos de sexo tinha se encaixado corretamente no vídeo, todas as estudantes trabalhando no projeto, da diretora à equipe de câmera, negaram verbalmente que as fotos as perturbassem de qualquer forma. Este foi um surpreendente estudo sobre descolamento da emoção genuína da realidade, uma vez que as estudantes estavam obviamente transtornadas pelo tema e conteúdo da produção.

Isto é, elas estavam tão desconfortáveis que nenhuma delas conseguia assistir aquilo que tinham concordado em filmar. E ainda assim, cada uma delas negou sua reação e culpou as outras por “não olharem” para as fotos de sexo. Eu fui embora pensando – se mulheres e garotas estão sendo expostas a essas imagens mundo afora, um número significativo de mulheres e garotas, também e necessariamente, estarão negando emoções e aversões bastante reais.

Essas imagens poderiam causar uma devastação nas delicadas relações entre marido e mulher, pensei.

Uma vez que eu tinha filhas e queria vê-las felizes e casadas com homens bem ajustados, decidi que eu deveria examinar melhor o assunto. O ano era 1976. Ainda sem ter nenhuma noção do papel de Alfred Kinsey na pornografia, nem mesmo o quão exatamente a pornografia “hard” e “soft” se relacionavam com o abuso sexual de crianças, eu não tinha a menor idéia de que eu descobriria o quão grave é esse problema ou de quão profundamente eu me envolveria na tentativa de resolvê-lo.

Todavia, eu já era capaz de ver as provas de como a aceitação cultural da visão pornográfica do sexo estava aumentando as taxas de divórcio e os distúrbios sexuais.

Tradução: Henrique Paul Dmyterko

NT[1]: Comédia de TV (1957-63), voltada para a família, cujo personagem título, Theodore “Beaver” Cleaver, era um garoto bastante inquisitivo, mas também frequentemente ingênuo.

NT[2]: Desde 1871, é o principal porta-voz do governo americano em assuntos relativos à saúde pública. É sempre um oficial de alta patente da marinha americana e é o chefe do Office of the Surgeon General (OSG).

Fonte: http://www.midiaamais.com.br/cultura/301-uma-odisseia-pessoal-ate-a-verdade-parte-i

Vítima de Kinsey desabafa: meu pai era pago para me estuprar

Kathleen Gilbert

WASHINGTON, D.C., EUA, 21 de outubro de 2010 (Notícias Pró-Família) — Décadas depois de sua tribulação, uma mulher está desabafando. Ela diz que seu pai era pago por Alfred Kinsey, o “pai da revolução sexual”, para estuprá-la — quando ela tinha apenas sete anos de idade — como parte dos experimentos dele na conduta sexual humana.

Usando o pseudônimo de Esther White, a mulher falou com o jornal eletrônico WorldNetDaily na esperança de que seu testemunho ajude a convencer os legisladores a parar de financiar o Instituto Kinsey em Indiana, que vem perpetuando os “experimentos” de Kinsey como a fundamental escola filosófica por trás da revolução sexual.

White diz que se tornou vítima da pesquisa de Kinsey, a qual se tornaria o alicerce da moderna sexologia, depois que seu pai e avô foram pagos por Kinsey para abusar sexualmente dela e coletar dados sobre as reações dela. WND comenta que duas das obras de Kinsey sobre a conduta sexual humana contêm tabelas que descrevem reações sexuais até em crianças de apenas dois meses, inclusive informações sobre como conseguir múltiplos “orgasmos”.

“[Meu pai] estava me dando orgasmos e cronometrando com um cronômetro. Eu não gostava daquilo; eu entrava em convulsões, mas ele não se importava. Ele dizia que todas as menininhas faziam isso com seus papais; só não conversavam sobre isso”, White disse para WND. White comentou que recebia ordens de “não dizer para minha mãe porque eu provocaria um divórcio, e esse era o meu maior medo. Isso era horroroso naquele tempo, pois ninguém se divorciava”.

“Em 1943, quando eu tinha nove anos, encontrei uma folha de papel que tinha caixinhas de preenchimento onde meu pai estava marcando coisas que ele estava fazendo comigo. Ele arrancou a folha de mim e a colocou num envelope marrom”, disse ela. “Era um formulário com caixinhas de opções abaixo no lado esquerdo da página, e uma lista de declarações que descreviam atos sexuais. Ele tinha de selecionar coisas, se ele tinha ou não feito.”

“Uma das declarações incluía as palavras ‘orgasmo cronometrado’. Eu não sabia o que significava ‘orgasmo’. Por isso, perguntei a ele e ele me disse. É por isso que ele estava usando um cronometro”. White disse que seu pai também filmava o abuso e enviava as fitas para Kinsey.

Ela disse que sua mãe deixou seu pai depois de certa vez apanhá-lo no ato, sem entregá-lo à polícia. Contudo, ele mais tarde voltou, e continuou a tentar abusar sexualmente de White, até mesmo tentando dormir com ela depois que ela já estava casada.

Em outra entrevista de WND, a Dr. Judith Reisman, a crítica mais importante das obras de Kinsey, detalhou o imenso apagão dos meios de comunicação que vem há décadas sabotando as investigações na história sórdida e ilegal do Instituto Kinsey. Reisman descreveu sua surpresa quando descobriu que ninguém se importava em investigar a “pesquisa” patentemente pedófila de Kinsey.

“Eu estava pensando: ‘Será que todos eles eram loucos?’” recordou Reisman.

O legado profissional de Kinsey, disse ela, era “que o sexo não é nada, de modo que é certo com animais, com homossexuais, adultos e crianças de qualquer idade. Apenas tente obter o ‘consentimento’.”
“Um dos parceiros sexuais de Kinsey, Wardell Pomeroy, disse que até com bebês dá para captar que é certo pelo modo como eles olham para nós. Mas, pergunto eu, como é que uma criança pode dar consentimento para essa atividade? Kinsey disse que as crianças ‘dão seu consentimento’ quando lutam para escapar daquele que as quer estuprar!” disse Reisman. “Por definição, uma criança não tem maturidade e não consegue entender as consequências da atividade sexual. Nenhuma criança está em condições de dar consentimento”.

“O governo de Obama pediu desculpas pelos experimentos sexuais de cientistas americanos em guatemaltecos realizados de 1946 a 1948. No mesmo dia desse pedido de desculpas (4 de outubro) o Instituto Kinsey anunciou ainda outro de seus estudos sexuais tendenciosos e pedófilos acerca de crianças e orgasmos. Como é que eles conseguem escapar impunemente com o que fazem?” perguntou ela.
Reisman diz que agora espera que uma investigação parlamentar acerca dos crimes de Kinsey e seu instituto, depois de muitas tentativas que não deram certo, possa ir em frente.

Em sua reportagem, WND diz que há alguma esperança de se tomar providências a nível estadual: os deputados estaduais de Indiana Cindy Noe e Woody Burton estão de novo requerendo uma parada nos financiamentos ao Instituto Kinsey, que recebe verbas vindas dos contribuintes do imposto de renda do estado por meio da Universidade de Indiana — uma solicitação que, dizem eles, depende da possibilidade de candidatos do Partido Republicano serem eleitos como maioria na assembleia legislativa.
Burton disse para WND que ele fez uma visita ao Instituto, e o chamou “apenas de um covil de pornografia”. “Eles têm salas onde levam estudantes universitários e lhes mostram pornografia e fazem coisas com eles. É simplesmente nojento; e eles ficam ali supervisionando e tentando dizer a eles que aquilo tudo é apenas ciência”, disse ele.

O legislador disse que certa vez, ao tentar obter uma ordem legislativa para ver os arquivos do Instituto, ele foi informado de que “eles têm um sistema armado para destruir seus arquivos imediatamente se alguém tentar entrar para vê-los com uma ordem judicial”. Mas líderes conservadores esperam que novas informações sobre as origens horrendas do Instituto romperão o silêncio de uma vez por todas.
“O Instituto Kinsey moldou as políticas do Conselho de Educação e Informações Sexuais (SIECUS) e da Federação de Planejamento Familiar dos EUA [a maior rede de aborto dos EUA], e sua versão de educação sexual se infiltrou agora em nossas escolas”, Micah Clark, diretor executivo da Associação da Família Americana de Indiana, disse para WND. “O outro lado usa isso como distintivo de honra. Nós vemos isso como distintivo de vergonha”.

Traduzido por Julio Severo: http://www.juliosevero.com/

Fonte: http://noticiasprofamilia.blogspot.com/

Veja também este artigo original em inglês: http://www.lifesitenews.com/ldn/2010/oct/10102106.html

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Fonte: http://noticiasprofamilia.blogspot.com/2010/10/vitima-de-kinsey-desabafa-meu-pai-era.html